Criatividade e tecnologia juntas

10.06.2010

CAT NYUnir dois mundos de naturezas aparentemente opostas é o desafio ao qual se propõe o evento da AdverstingAge: Creativity & Tecnology 2010 (www.creativitycat.com). Opostas porque – como nós que trabalhamos com internet já sabemos há mais de 15 anos – fazer criativos e tecnólogos falarem a mesma língua é tão difícil quanto misturar água e óleo. Mas a verdade é que quando isso acontece o resultado é sucesso e esta integração vai ficando cada vez mais crucial em um mundo cada vez mais digital.

Talvez a ideia de realizar o evento em um inusitado Pier em Nova York seja só para trazer um certo charme (e provavelmente é) mas, de uma certa forma, traz a simbologia interessante de mostrar que o mercado de criatividade não está a deriva, mas sim ancorado em uma sólida visão de futuro. Acompanhe as mais relevantes discussões e novidades do evento de hoje (10/06), que reúne criativos, profissionais da área digital, de marketing e estratégias de mídia, além de desenvolvedores e programadores.

Making it work in the post-digital world – Digital meets the real world
O evento começou com um painel que, creio, dará o tom de todo o evento: como a lógica digital da internet pode revolucionar a comunicação no mundo real. Isto é realmente quente. Afinal, pensar todas as possibilidades de interatividade, já exploradas dentro de uma janela de browser, acontecendo no mundo físico, sem browser, sem nem mesmo um PC, será a próxima onda.

Andreas Dahlqvist, da DDB de Stockholm, partiu do raciocínio de que o famigerado “360 graus” deve ser substituído por “6 graus” (de separação: aquela ideia de que todos no mundo estão conectados em até 6 graus). Ou seja, o jogo deixou de ser como bombardear o consumidor por todos os meios, mas como dar uma única mensagem de valor que o motive a passar adiante por meio de seus contatos. Para exemplificar o raciocínio, ele apresentou o “Fun Theory” da Volkswagen (aquela campanha que, entre outras coisas, transformou a escadaria do metrô em um piano) e o “Billboard Game” do Mc Donalds, em que uma série de imagens passava pelo painel eletrônico na rua e convidava o consumidor a fotografar o sundae e levar a imagem até a lanchonete para ganhar o sorvete de graça. Para Conor Brady, da Organic, a questão agora é “como criar um movimento?”. E arrisca: “É preciso começar com diálogos reais”.

O painel terminou com uma sequência inspiradora de exemplos do uso da tecnologia digital no mundo real, trazidos pelo especialista em instalações digitais Theodore Watson, da OpenFrameworks, para quem interatividade não está ligada a um web site, mas em como fazer as pessoas interagirem com a tecnologia de diferentes formas, ou seja, brincar com a tecnologia do seu próprio modo. Mais arte do que business. Mas aponta bem para onde as coisas estão indo. Theo está por traz do famoso “Laser Tag”, um tipo de grafite feito com laser e projeções que tem rodado o mundo.

Augmented Reality – The next wave
Competir com o Google é uma tarefa ingrata em qualquer negócio em que eles estão. Não é diferente com o serviço de mapas. Mas é aí que o Bing tem um trunfo: PhotoSynth. Um insight simples, mas uma tarefa altamente complexa: construir imagens 3D a partir de imagens 2D. Desde sempre o caminho foi inverso: modelos gerados em 3D e renderizados em imagens 2D.

O software apresentado por seu arquiteto Blaise Aguera y Arcas, da Microsoft, intepreta as diferenças de cor, forma e contraste de uma série de fotos e as transforma em pontos correspondentes ao que seriam os “cantos da imagem em 3D”. Três coisas impressionam (além da inovação já espantosa que o PhotSynth é por si só):

- As fotos usadas para a construção do modelo devem ser do mesmo tema, mas não precisam ter conexão entre elas, não há a necessidade de serem tiradas de uma forma específica, nem por uma mesma pessoa;
- Quanto mais imagens melhor, portanto ele usa as zilhões de fotos geradas pelos usuários e publicadas nas mídias sociais (Flickr, por exemplo) para compor os modelos dos pontos turísticos;
- É um software poderoso, mas está aberto para qualquer um usar gratuitamente.

The New Rock Stars – Creative technologists and digital strategists
Parece estar ganhando força a ideia de que o insight criativo vem cada vez mais da tecnologia e, portanto, é preciso trazer os programadores para a mesa. Esta é a nova criatividade. Por isso, profissionais com background de tecnologia e cabeça criativa estão se tornando as novas lideranças de criação de algumas agências. Este é o caso de Andrew Bell, da The Mill, que participou deste painel, que também contou com Ivan Askwith, diretor de estratégia da Big Spaceship, e Faris Yakob, chief of innovation da MDC Partners. “Não se trata mais de mídia. Hoje a estratégia está mais ligada a entender as pessoas e, por isso, nosso trabalho é muito mais antropologia e psicologia”, ressaltou Ivan.

Confira os outros textos da cobertura do CAT pelo Grupo TV1:
- Storytelling, 3D e outras novidades
- Interatividade transforma entretenimento em utilidade

Gustavo Donda, Diretor de Planejamento do Grupo TV1

Cobertura especial para o Meio & Mensagem online direto do evento em Nova York (10/06)

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5.07.2010

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