Storytelling, 3D e outras novidades

10.06.2010

CAT NYApós um breve intervalo no Creativity & Technology, do AdAge em Nova York (www.creativitycat.com), o evento recomeçou com um painel sobre TV 3D e a participação de lideranças do mercado norte-americano de produção de comerciais. Um deles, Jon Collins, presidente da Framestore, já carrega na bagagem a experiência de ter feito parte da produção de Avatar. Ponto reforçado por todos: não se trata de uma mera evolução. Diferente da transição para o HD, no caso de produções em 3D tudo é feito diferente. Do roteiro à edição, dos processos à tecnologia. Para se ter uma idéia, não existe pós-produção em um filme 3D, tudo tem que ser pensado antes, diferente do modelo atual em que muita coisa se resolve no final do processo.

O painel também abordou as diferenças entre imagens geradas em 3D (como no caso de Avatar) e convertidas de 2D para 3D (como no ‘Clash of Titans’). Apesar de dar mais controle e liberdade ao diretor, que pode dosar imagens 3D com 2D, o método de conversão é totalmente incerto com relação aos resultados, e os efeitos podem ser descartados no processo por não funcionarem após a conversão.

Quando perguntado sobre as apostas para o uso comercial da TV 3D no curto prazo, Ed Ulbrich, presidente da Digital Domain, profetizou: “Eventos esportivos e videogames”. Porém, para a pergunta que não quer calar: “Quanto a mais custa uma produção em 3D”, ele não se arriscou: “Tudo é muito novo e não existe um modelo, portanto tentar responder esta pergunta seria um desserviço”.

The Real-time, networked city
O professor do MIT e diretor do SENSEable City Lab na mesma instituição, Carlo Ratti, apresentou uma série de experimentos muito bacanas e inspiradores. Vale dar uma busca no Google:
- TrashTag: projeto com chips para rastrear cerca de 3.000 objetos jogados no lixo;
- Copenhagen Wheel: espécie de Nike+ para bikes, mas com a vantagem de acumular a energia das pedaladas para gerar extra “boosts” para o ciclista;
- Digital Water Pavilion em Zaragoza: paredes de água controladas por computador;
- London Cloud: monumento que será implementado para as Olimpíadas de 2012.

The evolution of storytelling
É interessante como num papo sobre storytelling em algum momento os exemplos vão deixar de ser sobre marcas e passar para metáforas do comportamento humano. Segundo Nicke Bergstrom, da Mother de NY, as marcas deveriam pensar sua comunicação como se fosse um encontro a dois, que obviamente seria um fracasso se apenas uma pessoa falasse sem dar chance para o outro falar. Este foi o gancho para a sua teoria: “O storytelling sempre foi um processo de diálogo. O modelo de monólogo do broadcast foi um hiato de 50 anos na história da humanidade. O que está acontecendo agora com as tecnologias digitais é uma volta às origens.”

Para Nick Law, da R/GA, assim como nos relacionamentos humanos uma marca precisa ser interessante para sem tornar o centro das atenções em uma conversa. “Uma pessoa interessante que faz rir ou conta histórias emocionantes domina uma conversa”, disse. Ele também mencionou o modelo e a visão da R/GA nos quais o storytelling sozinho é frágil e a função dele deveria ser levar as pessoas para um framework maior, justamente onde elas pudessem dar continuidade a experiência. Esse framework seria uma plataforma feita por websites, apps ou social networks. Segundo ele, na R/GA dois times trabalham focados. O “campaign team” desenvolve o storytelling com base no trabalho do “platform team” que cria o framework. Ele mencionou dois exemplos bem sucedidos desse modelo: Nike+ e EcoDrive.

Antes do almoço aconteceram outras duas apresentações rápidas. Na primeira, o fundador da Stamen, Eric Rodenbeck, mostrou como infográficos podem ser reveladores quando alimentados por grandes quantidades de dados. E hoje não existe fonte mais prolífica que o Twitter para gerar massas de informações sobre todos os temas. Ele mostrou aplicativos desenvolvidos por sua empresa para apresentar dados gerados pelo Twitter em tempo real em infográficos interativos. Na segunda apresentação, John Cantarella, presidente da Digital Time Inc., apresentou sua nova plataforma editorial: o iPad.

Durante o almoço, algumas pessoas tiveram o privilégio de participar de um workshop com Matt Howell, ex-R/GA e atual Chief Interactive Officer da Modernista!, de Boston, e outros craques do mercado norte-americano. Na ocasião, foi apresentada e discutida uma lista de coisas para “não se fazer” na transição de uma agência tradicional para o digital. Tudo verdade, mas é bem mais fácil falar do que fazer.

Making it work – Agencies or tech developers
A volta do almoço foi marcada por um painel com Winston Binch, sócio da Crispin Porter + Bogusky, de Colorado, Thor Muller, fundador da Get Satisfaction, e Matthew Szymczyk, fundador da Zugara. Ou seja: um profissional de agência, um desenvolvedor de software e um que era agência e virou desenvolvedor de software.

Para Winston, muitas das marcas que amamos hoje não foram construídas com propaganda, mas sim com experiência de produto. Por exemplo, o Starbucks focou esforços construindo uma experiência de loja imbatível. “Muitas vezes, a propaganda é usada para esconder as imperfeições do produto”, disse. Segundo ele, o digital é uma oportunidade de construir essa experiência, já que pode ser produto, embalagem, distribuição e propaganda ao mesmo tempo. Para ilustrar o raciocínio, ele apresentou o case OpenForum.com, desenvolvido por sua agência para a American Express.

Para Thor Muller, atendimento ao cliente é o novo marketing. Segundo o especialista, existem mais de 38 mil comunidades de consumidores na internet. Seu software “get satisfaction” é uma plataforma de interação entre consumidores e de consumidores com as empresas, e já foi customizada para a e-store (da Procter&Gamble), Nike, Texas.gov, entre outros.

Matthew começou sua apresentação com a foto de um mendigo e o cartaz: “Will code HTML for food”. Tudo para dizer que decidiu reposicionar sua agência digital para o mercado de software, pois enxerga uma comoditização. Seu produto é um engine de realidade aumentada para e-commerce de roupas. Você ativa a webcam e pode se ver vestido com o produto.

Gustavo Donda (@gdonda
), Diretor de Planejamento do Grupo TV1

Cobertura especial para o Meio & Mensagem online direto do evento em Nova York (10/06)

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